O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta quinta-feira, 30, que a Rússia usou um míssil balístico de fabricação norte-coreana em um ataque que destruiu uma casa na vila de Radushne, na região de Dnipropetrovsk, e matou cinco integrantes da mesma família. Se confirmada, seria a primeira vez em quase um ano que Moscou recorre a esse tipo de armamento na guerra.
Segundo Zelensky, o projétil atingiu a residência de um casal e de três de seus filhos. O paradeiro das outras quatro crianças da família e de um neto de um ano e meio não havia sido esclarecido até a última atualização das autoridades ucranianas.
O episódio ocorreu durante uma das maiores ofensivas russas das últimas semanas. A Rússia lançou dezenas de mísseis e centenas de drones contra diferentes regiões da Ucrânia, atingindo principalmente Kiev e a região de Lviv, no oeste do país, próximo à fronteira com a Polônia. Além das cinco vítimas em Radushne, outras quatro pessoas morreram em ataques registrados em Kiev, Lviv e Poltava.
Segundo a Força Aérea ucraniana, as defesas do país conseguiram derrubar 55 mísseis e 265 drones, mas tiveram dificuldade para conter os projéteis balísticos. Dos nove lançados pela Rússia, apenas um foi interceptado.
Em publicação nas redes sociais, Zelensky responsabilizou a demora dos aliados ocidentais no envio de equipamentos, especialmente os sistemas Patriot, fabricados pelos Estados Unidos, considerados os únicos capazes de interceptar esse tipo de míssil.
Fontes ouvidas pela agência Reuters afirmaram que radares ucranianos identificaram trajetórias compatíveis com os mísseis balísticos norte-coreanos KN-23 ou KN-24, usados anteriormente pela Rússia entre o fim de 2023 e 2024. A confirmação definitiva, porém, depende da análise dos destroços recolhidos no local do impacto.
Os mísseis fornecidos por Pyongyang têm alcance e poder destrutivo superiores aos modelos Iskander produzidos pela Rússia, embora apresentem menor precisão. Especialistas avaliam que o reaparecimento desse arsenal pode indicar um novo envio de armamentos da Coreia do Norte para sustentar a intensificação da campanha militar russa. A aproximação entre Moscou e Pyongyang se aprofundou desde o ano passado.
Além de milhões de projéteis de artilharia, a Coreia do Norte enviou milhares de soldados para apoiar as tropas russas na região de Kursk. Na semana passada, Zelensky afirmou que o Kremlin prepara a chegada de mais 30.000 militares norte-coreanos para reforçar suas operações no conflito.

