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O Exército da Romênia realizou neste domingo, 2, explosões controladas no canal de Bala, no rio Danúbio, para redirecionar o fluxo de água em direção à única usina nuclear do país, diante dos níveis historicamente baixos do rio.
A operação de emergência busca garantir o abastecimento de água necessário para o resfriamento da usina nuclear de Cernavoda. As duas primeiras explosões, no entanto, não conseguiram destruir a formação rochosa que bloqueia o canal, após engenheiros militares subestimarem a densidade das rochas. Mergulhadores inspecionam a área antes de uma nova rodada de detonações, prevista para esta segunda-feira, 3.
⚡️Rumänische Militärs sprengten einen Teil des Felsens, um den Wasserfluss in der Donau zu erhöhen, — Bloomberg. pic.twitter.com/R6fDwP5mWf
— Heimo_aus_Steyr (@Heimo_aus_Steyr) August 3, 2026
Mais de 100 militares participam da operação. As explosões fazem parte de um plano para desviar parte da vazão do canal de Bala para o chamado Velho Danúbio, de onde é captada a água utilizada pela usina. A Apele Romane, agência estatal de gestão hídrica do país, reconheceu que a operação é altamente complexa e que não há garantia de sucesso.
Em agosto, a Romênia declarou estado de emergência em todo o país devido à queda na produção de eletricidade após níveis recordes de baixa no rio Danúbio levarem ao desligamento de um reator nuclear. O primeiro-ministro, Ilie Bolojan, já havia informado que governo destinou recursos para obras no rio Danúbio com o objetivo de garantir que o segundo reator permaneça conectado à rede elétrica.
A sucessão de meses com chuvas abaixo da média já derrubou o nível do rio Danúbio para 23 centímetros, medidos na semana passada em Budapeste. A menor profundidade a que tinha chegado antes foi registrada em 2018, com 33 centímetros, informou a DW.
Outros países afetados
O Danúbio é o segundo rio mais longo da Europa, possuindo entre 2.845 e 2.888 km de extensão. O curso de água atravessa o continente de oeste a leste, passando por diversas cidades europeias, incluindo Viena, Budapeste e Belgrado.
O primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar, anunciou que a rede elétrica do país enfrentará um período “crítico” de cinco dias a partir desta segunda-feira, enquanto a usina nuclear de Paks continua operando em sua capacidade reduzida devido aos baixos níveis de água do Danúbio. A usina é responsável por gerar 40% da eletricidade consumida no país, de acordo com informações do portal de notícias alemão DW.
Também banhada pelo Danúbio, a Sérvia é outro país que está com a geração de suas hidrelétricas reduzida e enfrenta restrições de energia nas cidades e na economia.
Onda de calor na Europa
O Danúbio e a Romênia são só algumas das várias vítimas do calor extremo que, aliado a um período prolongado sem chuvas, desde maio está atingindo a Europa em meio ao verão do hemisfério norte. França, Espanha e Grécia são alguns dos países que, na última semana, têm enfrentado incêndios florestais que se espalharam por conta do calor. Na Grécia, dois bombeiros morreram neste domingo, 2, após a colisão entre dois helicópteros que trabalhavam para apagar as chamas dos incêndios.
Junho deste ano foi o mês mais quente já registrado na Europa Ocidental, de acordo com os monitoramentos feito pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, o observatório climático da União Europeia. A temperatura média da região no mês foi de 20,74 graus centígrados, batendo o recorde anterior, que tinha sido registrado em junho do ano passado. São três graus acima da média de 1991 a 2020 para o mês, que é de 17,69 graus.
Alemanha, Hungria e Áustria foram alguns dos países onde os termômetros passaram dos 40 graus e, em todos os casos, bateram registros inéditos, de acordo com os números acompanhados pela Organização Meteorológica Mundial, da Nações Unidas. No caso da Alemanha, a temperatura chegou a bater os 41,7 graus, marcados em 28 de junho. Reino Unido, Holanda, Dinamarca e Suíça foram outros países onde as máximas verificadas em junho também bateram os recordes históricos, com temperaturas entre 37 e 39 graus.

