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Durante a onda de calor que continua a estender sua trajetória mortal pela Europa, bombeiros franceses tiveram que recorrer à água do rio Sena nesta segunda-feira, 13, para combater um enorme incêndio na floresta de Fontainebleau, ao sul de Paris.
O fogo começou no fim da tarde de domingo 12 na antiga reserva real de caça, situada a cerca de 60 km da capital e hoje pontilhada por vilarejos. O incêndio — incomum devido à sua proximidade com Paris — já consumiu cerca de 800 hectares de floresta.
No domingo, as chamas provocaram o fechamento parcial da rodovia A6, a principal via norte-sul da França, e paralisou importantes linhas ferroviárias. A região de Paris permanece sob o nível máximo de alerta de onda de calor. O prefeito de Fontainebleau, Julien Gondard, disse estar chocado e indignado.
“Esta área excepcional está sendo consumida pelas chamas; nunca vimos nada parecido”, declarou ele à emissora local ICI Paris Île-de-France. “A floresta é frágil e encontra-se em situação crítica.”
Aeronaves bombeiras têm captado água do Sena como parte dos esforços para controlar o incêndio que, nesta segunda, continua a se propagar, segundo autoridades locais.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, disse a repórteres que a polícia investiga se o fogo foi iniciado deliberadamente. Também há focos em outras partes do país, afirmou ele em uma publicação no X (ex-Twitter) no domingo.
“Crise climática mata”
Não é incomum que florestas entrem em combustão em algumas partes da Europa durante o verão, mas as mudanças climáticas produzem um clima mais quente e seco que cria condições para temporadas de incêndios mais extremas. O fogo também está começando mais cedo no ano e ganhando intensidade: temperaturas mais elevadas vêm acompanhadas por um aumento acentuado no número de incêndios de grande porte, segundo o Sistema Europeu de Informações sobre Incêndios Florestais.
Em grande parte da França e da Espanha, um inverno excepcionalmente chuvoso deixou muita vegetação que rapidamente se transformou em combustível inflamável, à medida que três ondas de calor sucessivas levaram os termômetros para a faixa dos 35°C a 39°C. Nesta segunda, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou o local de um incêndio florestal fatal no sul do seu país e alertou: “A crise climática mata”. Dez pessoas continuam desaparecidas depois que as chamas ceifaram 13 vidas lá na semana passada.
O calor extremo também está causando um excesso de mortes em cidades. Na França, que registrou seu dia mais quente da história em 24 de junho, mais de 2 mil mortes durante a última semana do mês passado foram atribuídas às temperaturas extremas. Além disso, estima-se que mais de 2.700 pessoas tenham morrido na Inglaterra e no País de Gales por causas relacionadas ao calor durante maio e junho.
Nesta segunda, dados divulgados pela rede EuroMOMO, apoiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mostraram que houve mais de 10 mil mortes acima do esperado na Europa em apenas uma semana. A maioria das vítimas — mais de 9 mil — tinha 65 anos ou mais.
Essa tendência deve continuar: a Europa é o continente que mais aquece no mundo, com temperaturas subindo mais do que o dobro da média global, de acordo com o Copernicus, observatório de mudanças climáticas da União Europeia.

