InícioMundoVenezuela: Terremotos geraram danos de R$ 98,7 bilhões - 23/07/2026 - Mundo

Venezuela: Terremotos geraram danos de R$ 98,7 bilhões – 23/07/2026 – Mundo

O Banco Mundial estimou, nesta quinta-feira (23), que os terremotos devastadores que atingiram a Venezuela no mês passado provocaram danos físicos diretos de aproximadamente US$ 19,5 bilhões (R$ 98,7 bilhões). A entidade sugere uma parceria público-privada para a reconstrução das centenas de edifícios derrubados pelos tremores.

Segundo a avaliação, os danos a moradias são quase metade do total, US$ 9,3 bilhões (R$ 47 bilhões). Os prédios não residenciais, por sua vezes, somam US$ 5 bilhões (R$ 25,3 bilhões) em perdas, e a infraestrutura urbana, US$ 5,2 bilhões (R$ 26,3 bilhões).

Pelo menos 5.398 pessoas morreram em decorrência dos sismos de 24 de junho, conforme o último balanço oficial.

O estado de La Guaira e o Distrito Capital foram os mais impactados, com 47% do total dos danos detectados, seguidos de Miranda e Carabobo.

Pelo menos 16.740 pessoas ficaram feridas, e a estimativa da ONU aponta para mais de 50 mil desaparecidos. A organização calcula que mais de 1 milhão de pessoas precisam de ajuda humanitária imediata.

Em sua primeira análise, uma semana após os terremotos, a ONU havia dado uma estimativa muito maior do que do Banco Mundial, chegando em cerca de US$ 37 bilhões (R$ 187,3 bilhões).

A avaliação calcula que o ritmo da reconstrução será “um fator decisivo para moldar a recuperação econômica do país e seus resultados sociais”.

O desastre afetará os níveis de produtividade, consumo e o crescimento do PIB da Venezuela durante a próxima década, alertou a entidade com sede em Washington. “Estes impactos podem ser mitigados ampliando o investimento público e privado para acelerar a reconstrução”, sugerem os especialistas.

“Se a margem fiscal se ampliar, um maior investimento público poderia antecipar a reconstrução, e as transferências às famílias afetadas mitigariam as perdas de consumo”, acrescentam.

A avaliação do Banco Mundial sobre as necessidades de custos de reconstrução chega a aproximadamente 18% do PIB atual do país, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional).

“Antes do terremoto, os estados afetados enfrentavam pressões diferentes, mas sobrepostas”, lembra o relatório.

Rica em petróleo, gás e minerais, a Venezuela enfrenta há anos uma pobreza generalizada devido à má gestão econômica e à intensa pressão dos Estados Unidos.

Essa pressão foi aliviada desde que Washington capturou o então ditador Nicolás Maduro em uma operação militar em janeiro, mas as necessidades econômicas e sociais da população seguem sendo pouco significativas.

Washington assumiu o controle das receitas petroleiras do país, que são depositadas em contas bancárias dos Estados Unidos. Oficialmente, o governo do presidente americano Donald Trump supervisiona no que estas receitas são gastas.

A compra de medicamentos, itens de primeira necessidade, além de maquinário de origem americana, foram os primeiros gastos do regime da líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, segundo o Departamento de Estado americano.

O Banco Mundial e o FMI restabeleceram contatos com Caracas desde que Maduro foi deposto. O fundo liberou US$ 346 milhões (R$ 1,77 bilhão) de recursos que o país já possuía junto ao organismo, mas que estavam bloqueados, para o plano de reconstrução após os terremotos.

“Os terremotos transtornaram vidas, danificaram infraestrutura crítica e criaram novos desafios para a recuperação da Venezuela”, disse Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, em comunicado.

No começo do mês, as Nações Unidas lançaram um chamado urgente de quase US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) para dar a ajuda necessária a 1,3 milhão de pessoas.

Delcy prometeu esta semana entregar 4.000 residências antes do fim do ano para desalojados pelos terremotos.

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