A cidade de São Paulo subiu uma posição e voltou ao grupo das cem melhores cidades do mundo para estudantes, segundo o ranking QS Melhores Cidades Estudantis 2027, divulgado nesta terça-feira (21) pela QS (Quacquarelli Symonds).
Única representante brasileira na lista, a capital paulista alcançou o 100º lugar, com 60,2 pontos, embora ainda apareça três posições abaixo do desempenho registrado em 2025.
Seul, capital da Coreia do Sul, lidera o ranking pelo segundo ano consecutivo, seguida pelas cidades de Tóquio e Londres. Melbourne aparece na quarta posição, enquanto Munique e Sydney dividem o quinto lugar.
Entre as sete cidades latino-americanas classificadas, São Paulo ocupa a quarta colocação, atrás de Buenos Aires (35ª), Santiago (55ª) e Cidade do México (77ª). Monterrey (107ª), Bogotá (110ª) e Lima (148ª) completam a lista da região.
O ranking aponta que a capital paulista continua sendo a relação entre ensino superior e mercado de trabalho. A cidade ocupa a 42ª posição mundial no indicador de atividade entre empregadores, que mede o reconhecimento das universidades locais por empresas que contratam recém-formados.
Além disso, a cidade brasileira está na 46ª colocação em acessibilidade financeira. Nesse quesito, a QS considera fatores como custo de vida e mensalidades, que nas sete universidades paulistanas avaliadas ficam, em média, em torno de US$ 6.100 (R$ 33.458) por ano para estudantes internacionais.
Por outro lado, a cidade segue distante das primeiras posições nos indicadores ligados à experiência estudantil e à internacionalização. São Paulo aparece na 135ª posição em composição do corpo discente, que avalia a presença de estudantes estrangeiros, além da 131ª colocação em opinião dos alunos e da 132ª em atratividade. Apenas o indicador de diversidade estudantil registrou melhora em relação ao levantamento anterior, com avanço de três posições.
A maior queda ocorreu no indicador que avalia o desempenho das universidades instaladas na cidade. São Paulo perdeu 12 posições e passou a ocupar o 47º lugar nesse critério. Segundo a QS, os resultados refletem também o modelo brasileiro de internacionalização do ensino superior.
O relatório aponta que, em vez de priorizar o recrutamento de estudantes estrangeiros, o Brasil historicamente concentra esforços na cooperação científica e na diplomacia acadêmica, por meio de programas de intercâmbio e pesquisa.
A esse cenário se somam a exigência de proficiência em português, estratégias fragmentadas de divulgação internacional e a ausência de uma política nacional voltada à permanência de talentos estrangeiros após a graduação.
Para Ben Sowter, vice-presidente sênior da QS, o desempenho de São Paulo mostra que o principal desafio do Brasil está na forma como o país busca se inserir no cenário internacional, não na qualidade das universidades.
“O Brasil tem a economia mais forte da América Latina em nossa avaliação de transformação de talentos em crescimento, o sistema universitário mais representado da região e duas instituições entre as cem melhores do mundo em reputação acadêmica. São Paulo é uma das cidades mais acessíveis em nosso ranking, e os empregadores a colocam em 42º lugar no mundo”, afirma Sowter.
Na avaliação do especialista, a baixa presença de estudantes estrangeiros não acontece devido à qualidade das instituições brasileiras, mas da estratégia adotada pelo país para internacionalização.
“Isso não é um problema de qualidade, mas sim de estratégia. O Brasil utiliza a educação internacional como um instrumento de pesquisa e diplomacia, em vez de uma ferramenta de recrutamento, e os números mostram exatamente o que isso produz: parcerias sólidas, visibilidade fraca”, explica Sowter.
O executivo afirma ainda que as iniciativas recentes do governo caminham na direção correta, mas alerta que o fortalecimento da internacionalização dependerá também da competitividade das universidades brasileiras.
“O Plano Nacional de Pós-Graduação e o Capes-Global.edu são os passos certos”, afirma Sowter. “A questão mais difícil é se um sistema em que nenhuma universidade subiu no ranking este ano é capaz de atrair o talento que sua economia já está exigindo.”
O ranking QS Melhores Cidades Estudantis 2027 avaliou 150 cidades com base em seis critérios: desempenho das universidades
- atratividade
- atividade entre empregadores
- acessibilidade financeira
- composição do corpo docente
- opinião dos estudantes
Para integrar o ranking, as cidades precisam ter mais de 250 mil habitantes e ao menos duas universidades classificadas no ranking QS de melhores universidades do mundo.
Ranking QS Melhores Cidades Estudantis 2027
| Classificação 2027 | Cidade | Pontuação |
|---|---|---|
| 1 | Seul | 100 |
| 2 | Tóquio | 98 |
| 3 | Londres | 97,3 |
| 4 | Melbourne | 94,8 |
| =5 | Munique | 94,1 |
| =5 | Sydney | 94,1 |
| 7 | Paris | 92,5 |
| 8 | Berlim | 91,8 |
| 9 | Viena | 90,9 |
| 10 | Zurique | 90,6 |
| 100 | São Paulo | 60,2 |
Pontuação de São Paulo por categoria no ranking QS Melhores Cidades Estudantis 2027
| Categoria | Classificação em 2027 | Pontuação |
|---|---|---|
| Atividade entre empregadores | 42 | 73,9 |
| Acessibilidade financeira | 46 | 60,6 |
| Rankings universitários | 47 | 53,2 |
| Opinião dos alunos | 131 | 29,9 |
| Atratividade | 132 | 39,4 |
| Composição do corpo discente | 135 | 40,1 |
| Posição geral | 100 | 60,2 |

