Nova variante
O grande problema deste surto é ser causado pela variante Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina licenciada nem tratamento específico aprovado. A resposta das equipes de saúde também enfrenta obstáculos impostos pelos conflitos armados no leste do país, deslocamentos populacionais, ataques a unidades de saúde e escassez de recursos financeiros e de profissionais.
A comparação com o maior surto de ebola da história ajuda a dimensionar o risco. Entre 2014 e 2016, a epidemia que começou na África Ocidental atingiu principalmente Guiné, Libéria e Serra Leoa, mas teve reflexos em dez países ao todo, incluindo Nigéria, Mali, Senegal, Estados Unidos, Espanha, Itália e Reino Unido, em decorrência de casos importados e da infecção de profissionais de saúde. Ao longo de cerca de dois anos, foram registrados 28.616 casos e 11.310 mortes, tornando-se a mais grave epidemia de ebola já documentada. Na ocasião, embora o vírus tenha chegado a outros continentes por meio de viajantes infectados, as cadeias de transmissão foram rapidamente interrompidas e não houve disseminação sustentada fora da África.
Desde então, a República Democrática do Congo registrou diversos surtos menores, mas o atual preocupa pela velocidade inédita de crescimento. A OMS considera elevado o risco regional, mas avalia que, no momento, o risco de disseminação global permanece baixo, principalmente porque o ebola exige contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas para ser transmitido.

