Uma greve de fome iniciada por imigrantes detidos em um centro do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) elevou as tensões em Newark, no estado de Nova Jersey, nesta quarta-feira, 27. Manifestantes e agentes federais entraram em confronto do lado de fora da unidade de detenção Delaney Hall, onde centenas de imigrantes protestam contra condições degradantes.
Segundo ativistas e detentos ouvidos pela imprensa americana, entre 300 e 400 pessoas participam da greve de fome e de trabalho iniciada há cinco dias. Os imigrantes exigem melhorias na alimentação, atendimento médico, ventilação e andamento mais rápido de seus processos migratórios.
“Não somos criminosos”, afirmou um dos detidos em entrevista ao jornal britânico The Guardian após ser libertado da unidade. “Somos pais, mães, trabalhadores e pessoas que pagam impostos.”
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Resposta do governo
Os protestos ocorrem em meio ao endurecimento da política migratória do governo de Donald Trump, que ampliou operações de detenção e deportação em todo o país desde o início do segundo mandato.
Na noite de terça-feira, agentes do ICE usaram spray de pimenta e armas de choque para dispersar manifestantes que se concentravam em frente ao centro de detenção. De acordo com relatos da imprensa local, um homem foi atingido por um taser após correr em direção a trilhos de trem próximos à unidade.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês), órgão responsável pelo ICE, negou as denúncias dos e afirmou que não há greve de fome em andamento. Em nota, a pasta afirmou que os imigrantes recebem alimentação adequada, assistência médica, roupas, água potável e acesso a advogados e familiares.
Delaney Hall é administrada pela Geo Group, uma das maiores empresas privadas do sistema prisional dos EUA. Em comunicado, a companhia disse que oferece atendimento médico permanente e que todas as operações são supervisionadas pelo governo federal.
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Denúncias de abusos
Os detentos relatam, porém, uma realidade diferente. Em carta divulgada por organizações de defesa dos imigrantes, presos contam que comida estragada e com vermes é servida, há falta de ventilação, disseminação de doenças e demora no atendimento médico.
Organizações locais acusam o centro de operar em condições “desumanas”. Segundo Amy Torres, diretora da New Jersey Alliance for Immigrant Justice, mulheres grávidas teriam sofrido complicações sem assistência adequada e doenças estariam se espalhando na unidade.
O senador democrata Andy Kim, de Nova Jersey, afirmou ter recebido denúncias semelhantes após visitar o local. Na segunda-feira 26, ele e outros parlamentares tentaram entrar novamente no local, mas foram impedidos por agentes federais. Kim alegou ter sido atingido por spray de pimenta durante a confusão.
O governo Trump acusou os democratas de transformar o caso em “teatro político”. O senador republicano Markwayne Mullin afirmou que as denúncias contra o ICE são “falsas” e classificou os protestos como tentativa de desgaste político da política migratória do governo.

