
Ler Resumo
A cada verão, a paisagem europeia é tomada por labaredas insufladas pelo calorão, que piora à medida que o aquecimento global avança. A atual temporada adicionou ao cenário a combinação de recordes de temperatura com os resquícios da severa seca do inverno que passou, o que transformou a vegetação em puro combustível. Os países mais castigados até agora pela fúria das chamas são Espanha e França, onde fortes ventos contribuem para espalhar o fogo, que engole vastas áreas na bela região vinícola de Bordeaux e imediações, como na comuna de Arès, onde bombeiros correm para tentar debelar os incêndios. “Estamos diante da mais difícil crise dessa natureza desde a Segunda Guerra Mundial”, disse o presidente francês Emmanuel Macron. A devastação se espalhou por uma área equivalente a 430 campos de futebol que, reduzida a cinzas, forçou 320 000 pessoas a deixar tudo o que restou para trás para escapar da gigantesca queimada que não dá sinais de arrefecer. Ao menos quinze pessoas morreram. Cientistas alertam agora para o risco de formação das chamadas nuvens de fogo, que levam a tempestades implacáveis, um fenômeno inédito nas porções afetadas que pode impossibilitar o trabalho de quem se infiltra na cortina de fumaça para salvar vidas. Em solo espanhol, os focos ameaçam atingir Madri, e o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou um pacote milionário para tornar as cidades mais resistentes às irrefreáveis mudanças climáticas. O infernal caldeirão desses últimos dias não deixa dúvidas: não há tempo a perder.
Publicado em VEJA de 31 de julho de 2026, edição nº 3006

