O público da Noite de Gala do 43º Festival de Dança de Joinville, realizada neste domingo (26/7), viveu um momento marcante da dança brasileira: a despedida de Marcelo Gomes do repertório clássico, iniciando um novo capítulo em sua trajetória.
Ele é um dos brasileiros a atingir o ponto mais alto da carreira de bailarino clássico, com quase duas décadas de atuação no American Ballet Theatre, a mais importante companhia dos Estados Unidos e uma das principais do mundo.
Sua despedida dos palcos como bailarino ocorrer em Joinville não foi por acaso: foi no Festival de Dança de 1993 que ele conquistou seu primeiro grande prêmio ao receber o Troféu Revelação. Meses depois, partiu para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos para um conservatório de balé e seguiu carreira internacional. Atualmente, aos 46 anos, é diretor de ensaios da Ópera de Viena, na Áustria.
“Joinville ocupa um lugar muito especial na minha história. O Festival de Dança abriu muitas portas na minha carreira e mostrou que um menino de Manaus podia sonhar com os grandes palcos do mundo. Voltar agora para encerrar esse ciclo tem um significado enorme”, afirma.
Marcelo dançou um pas de deux (cena de dois bailarinos) do balé “Romeu e Julieta” com Luiza Lopes, brasileira que é a principal bailarina do Royal Swedish Ballet, uma das companhias de dança mais antigas e prestigiadas do mundo. A versão apresentada por eles, de Sir Kenneth MacMillan com música de Sergei Prokofiev, nunca havia sido apresentada no Festival de Dança de Joinville anteriormente. Em seguida, apresentou “Solo”, obra neoclássica criada por Justin Peck.
Marcelo emocionou a plateia ao ir às lágrimas quando, ao fim da apresentação, mais de 4 mil pessoas o aplaudiram de pé. Ele recebeu uma homenagem realizada pelo presidente do Instituto Festival de Dança de Joinville, Ely Diniz, com um troféu com a inscrição: “à incrível trajetória de Marcelo Gomes em reconhecimento à sua notável contribuição à dança e por inspirar, com notável talento e dedicação, artistas em todo o mundo”.
“Ele poderia ter escolhido qualquer palco do mundo para esta despedida. Por isso, ficamos muito honrados por ter vindo a Joinville, onde começou a se destacar”, afirmou Ely Diniz.
Jovens estrelas do balé internacional são ovacionados pelo público
Também na primeira parte da Noite de Gala, subiram ao palco os jovens talentos do balé internacional António Casalinho e Margarita Fernandes, que apresentaram um pas de deux de “O Corsário”. Naturais de Portugal, ambos ocupam posições de destaque no Balé da Ópera de Viena: ele é Primeiro Bailarino, e ela, Solista.
Em Joinville, foram ovacionados como “pop stars” ao executarem passos perfeitos na execução do balé. Casalinho e Margarita compartilham também uma bonita história de amadurecimento e afeto. Cresceram juntos, estudando no mesmo conservatório em Portugal desde os 12 anos. Ainda na adolescência começaram a namorar, relacionamento que permanece até hoje.
Para eles, serem parceiros na vida e no palco fortalece a sintonia artística, já que, no balé, confiança e conhecimento mútuo são fundamentais.

