Por Ana Claudia Paixão – Via MiscelAna
A morte de Glen Hansard, aos 56 anos, provocou uma onda de homenagens no mundo da música. Bruce Springsteen, Bono, Warren Ellis, Imelda May, Andrea Corr, Rachel Zegler e Chris O’Dowd estão entre os artistas que lamentaram a perda do cantor, compositor e ator irlandês, vítima de um acidente de moto em Dublin.
Springsteen disse estar de coração partido e lembrou Hansard como um grande músico, um bom amigo e um homem generoso. Bono o chamou de uma estrela brilhante, enquanto Warren Ellis, colaborador de Nick Cave e parceiro musical de Hansard, escreveu que ainda não conseguia acreditar na notícia. As mensagens repetem uma mesma ideia: o talento extraordinário vinha acompanhado de uma humanidade igualmente rara.
Para o grande público, Hansard ficará para sempre ligado a Once, pequeno filme independente de 2007 que se transformou em fenômeno mundial. Ao lado de Markéta Irglová, escreveu e interpretou Falling Slowly, vencedora do Oscar de Melhor Canção Original em 2008. Quase vinte anos depois, a música continua com a mesma força e delicadeza.
Mas reduzir sua carreira ao Oscar seria injusto. Antes de Hollywood, ele já era um dos nomes mais respeitados da música irlandesa como líder do The Frames. Participou de The Commitments, formou o The Swell Season com Irglová e construiu uma carreira solo marcada por interpretações intensas, letras profundamente humanas e uma entrega absoluta no palco.
Hansard veio ao Brasil em três ocasiões. A primeira foi em 2010, com o The Swell Season, para shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. Voltou em 2014, como atração de abertura da turnê solo de Eddie Vedder, em uma sequência de apresentações nas duas cidades. Em 2018, retornou novamente ao lado do vocalista do Pearl Jam, para duas noites em São Paulo. Ele ainda estava anunciado para voltar ao país em novembro de 2026, no festival Best of Blues and Rock.
Tive o privilégio de vê-lo na primeira passagem, com o The Swell Season. Foi um daqueles shows que permanecem na memória. Hansard cantava como quem conversava diretamente com cada pessoa da plateia. Não havia distância entre o palco e o público, nem qualquer artifício para provocar emoção. Havia apenas verdade.
Sua voz nunca buscava a perfeição. Buscava justamente isso: a verdade. Talvez por isso tantos artistas estejam se despedindo não apenas de um compositor extraordinário, mas de um homem que parecia incapaz de separar música, humanidade e generosidade.

