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O ex-deputado Eduardo Bolsonaro ganhou um green card concedido pelo governo do presidente americano, Donald Trump, documento que autoriza um cidadão estrangeiro a viver nos Estados Unidos por tempo indeterminado.
As informações são da Folha de SP e da CNN.
A medida vem depois da Casa Branca anunciar, na última quarta-feira, que passaria a aplicar uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras a partir de 22 de julho, após concluir uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.
A tarifa foi justificada pela chamada Seção 301, alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. O representante americano de comércio, Jamieson Greer, afirmou que as negociações entre Brasil e Estados Unidos ao longo do último ano não resolveram as divergências.
Desde então, uma série de figuras do governo Trump acirrou a tensão com o Planalto. Em resposta, o chanceler Mauro Vieira rebateu as declarações que qualificou como “inaceitáveis e ofensivas” do secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao anunciar a decisão de aplicar tarifas. O chefe da diplomacia de Donald Trump afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro”.
“As declarações do Secretário de Estado Marco Rubio veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros”, afirmou Vieira a repórteres.
A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, enquanto isso, celebrou o novo tarifaço e criticou o Brasil como um parceiro comercial que adota práticas “desleais”.
Em paralelo, no mês passado, Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 4 anos e 2 meses de reclusão por coação no curso do processo, ficando comprovado, segundo a corte, que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atuou nos Estados Unidos para interferir no julgamento em que o pai foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
A denúncia informa que ele mesmo afirmou ter feito gestões para que o governo Trump impusesse sanções a autoridades brasileiras e medidas econômicas contra o país. No ano passado, o primeiro tarifaço americano contra o Brasil foi acompanhado de uma carta do presidente dos Estados Unidos direcionada ao ex-mandatário brasileiro em que definiu a ação penal como uma “caça às bruxas” e defendeu o fim imediato do julgamento.
“Eu vi o terrível tratamento que você está recebendo nas mãos de um sistema injusto. Este processo deve terminar imediatamente!”, afirmou Trump.
Além disso, o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro, tornou-se alvo da Lei Magnitsky, ferramenta do governo americano criada para sancionar estrangeiros que cometeram violações graves de direitos humanos ou de corrupção em larga escala.
A Magnitsky foi revogada, enquanto o mecanismo usado pelo governo Trump para acionar o tarifaço original foi considerado ilegal pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
Agora, com o green card, a extradição para que Eduardo Bolsonaro cumpra a pena no Brasil, já considerada uma possibilidade remota, fica ainda mais difícil.

