Bruno Gagliasso esteve em Bonito, Mato Grosso do Sul, para apresentar Honestino, filme dirigido por Aurélio Michiles e exibido durante a quarta edição do Bonito CineSur. O ator interpreta o líder estudantil Honestino Guimarães nas passagens ficcionais da produção, que combina documentário, depoimentos e dramatizações para recuperar uma das histórias mais dolorosas da ditadura militar brasileira.
Presidente da União Nacional dos Estudantes, Honestino foi perseguido pelo regime, preso e desaparecido em 1973. Seu corpo nunca foi encontrado. Mais de cinco décadas depois, o filme procura devolver não apenas sua importância política, mas também sua dimensão humana.
Após a sessão, Bruno explicou que não queria interpretar somente um símbolo da resistência. Seu esforço foi encontrar o jovem por trás do personagem histórico: o filho, o amigo, o estudante que escrevia poemas, fazia planos e tinha uma vida interrompida pela violência do Estado.
A presença do ator levou grande público à exibição e ajudou a aproximar uma nova geração de uma história que ainda precisa ser contada. Bruno também falou sobre a responsabilidade de participar do projeto e sobre a necessidade de preservar a memória das vítimas da ditadura.
“Não pode normalizar”, afirmou ao comentar a violência sofrida por Honestino e por tantos outros brasileiros perseguidos pelo regime militar.
Dirigido por Aurélio Michiles, Honestino utiliza cartas, documentos, poemas e lembranças de familiares e amigos para reconstruir sua trajetória. O longa transforma o nome conhecido dos registros políticos em um jovem com afetos, sonhos e contradições — alguém cuja ausência continua sendo sentida.
A apresentação em Bonito foi um dos momentos mais emocionantes da programação do CineSur, festival dedicado ao cinema sul-americano e realizado entre os dias 24 de julho e 1º de agosto.

