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Nesta terça-feira, 28, a maior penitenciária do Irã, Ghezel Hesar, entrou no 16º dia da greve de fome organizada por ao menos 1.500 detentos no corredor da morte. O grupo protesta com cartazes e alguns chegaram a costurar os próprios lábios, em reação à disparada no número de execuções no país.
A greve começou depois que seis homens condenados por crimes relacionados a drogas foram transferidos para o confinamento solitário antes de um iminente enforcamento. Em uma série de vídeos compartilhados por grupos de direitos humanos no exílio, os presos são vistos sentados nos corredores da prisão, segurando cartazes com os dizeres “Não às Execuções” e cantando “Sejam nossa voz”.
🚨 روز ۱۴ اعتصاب غذای زندانیان محکوم به اعدام در زندان قزلحصار (۴ مرداد ۱۴۰۵)
امروز ۱۴مین روز از اعتصاب غذای ۱۵۰۰ زندانی محکوم به اعدام در زندان قزلحصار است. آنها در اعتراض به موج گسترده اعدامها دست به اعتصاب زدهاند و جانشان در خطر جدی است.
سکوت در برابر این فاجعه جایز… pic.twitter.com/InD2boqevQ— Nargesjalali (@Nargesjala2995) July 27, 2026
Em um vídeo impactante, um prisioneiro se dirige à câmera dizendo que está costurando os próprios lábios porque, seis dias após o início da greve de fome, nenhum funcionário da prisão respondeu ao protesto. Em seguida, as imagens mostram outro homem, fora do campo de visão, usando agulha e linha para costurar os lábios do primeiro.
Outras imagens mostram um prisioneiro pedindo assistência médica urgente para aqueles cujas condições, segundo ele, estão se deteriorando. “Os guardas não abrem a porta para que possamos levá-los à enfermaria”, diz ele.
Campanha anti-execuções
Este é o mais recente episódio de uma campanha anti-execuções liderada por prisioneiros, que começou em janeiro de 2024 e se espalhou por penitenciárias no Irã em meio a um aumento acentuado na aplicação da pena de morte.
Um protesto semelhante ocorreu lá em outubro de 2025, quando mais de 1.500 presos iniciaram uma greve de fome de seis dias, resultando em uma rara visita das autoridades. Mas ativistas afirmam que as condições não melhoraram desde então.
“Em muitos casos, os réus não têm acesso a advogados ou um direito real de se defender. Há também casos em que as acusações são fabricadas contra pessoas de minorias étnicas ou de origem humilde”, afirma Moein Khazaeli, advogado de direitos humanos do Dadban, um centro de aconselhamento jurídico para ativistas iranianos. “As sentenças de morte emitidas pelos tribunais revolucionários são uma violação dos direitos humanos e até mesmo das próprias leis do Irã.”
Familiares de condenados à morte na prisão de Ghezel Hesar também vêm realizando protestos em frente ao presídio em apoio aos detentos, mas testemunhas relataram ao jornal britânico The Guardian que as autoridades reprimiram a manifestação com violência.
Salto na pena de morte
O regime iraninano executou pelo menos 2.159 pessoas em 2025, segundo a Anistia Internacional; neste ano, a organização sem fins lucrativos Iran Human Rights (IHRNGO), sediada em Oslo, calcula que houve ao menos 424 — maioria delas em casos relacionados a drogas. Nesta terça-feira, 28, enquanto isso, a Justiça iraniana anunciou a morte de dois homens, Abolfazl Sepahi e Amir Hossein Safari, por acusações ligadas aos protestos antigovernamentais de janeiro e por “travarem guerra contra Deus”; a imprensa oficial informou que eles foram executados em praça pública.
No fim de dezembro, um movimento de protesto iniciado pelo custo de vida elevado resultou em grandes manifestações que atingiram o auge em 8 e 9 de janeiro. As autoridades relataram mais de 3 mil mortos e atribuíram a violência a “atos terroristas” orquestrados pelos Estados Unidos e Israel, enquanto organizações internacionais acusam as forças governamentais de atirar contra os manifestantes.
Vinte e seis pessoas ligadas aos protestos de janeiro foram enforcadas este ano. Segundo ativistas e advogados, muitas das sentenças de morte foram emitidas com base em confissões obtidas sob tortura.

