
O Irã apresentou ao Omã uma proposta para reabrir temporariamente o Estreito de Ormuz que prevê uma nova distribuição das rotas de navegação, disse o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, em entrevista à televisão estatal nesta terça-feira, 28.
Segundo Gharibabadi, a proposta iraniana estabelece que um dos sentidos do tráfego marítimo passe por águas iranianas, enquanto a gestão do sentido contrário ficaria a cargo dos dois países. O vice-ministro acrescentou que, caso Omã não aceite o acordo, o estreito permanecerá fechado.
Teerã também rejeitou uma proposta de Omã que previa uma divisão igualitária das rotas entre os dois países. Gharibabadi afirmou que a sugestão omanense não atende às preocupações de segurança do Irã enquanto não houver estabilidade duradoura na região.
O vice-ministro declarou ainda que o Irã deixou de reconhecer o atual Esquema de Separação de Tráfego (TSS, na sigla em inglês), criado em 1968 por um acordo entre o Irã e Omã. Segundo ele, o sistema de rotas marítimas atravessa majoritariamente águas de Omã e não permite ao Irã monitorar adequadamente as embarcações após o início da guerra travada por ataques dos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
O corredor marítimo definido pelo TSS está temporariamente fora de operação devido ao risco de minas navais e foi substituído por rotas alternativas ao norte, sob responsabilidade do Irã, e ao sul, administrada por Omã.
A proposta surge em um momento de forte tensão regional. Nos últimos meses, o Estreito de Ormuz esteve no centro dos confrontos entre EUA e Irã, que trocaram ataques e ameaças relacionadas à segurança da rota por onde escoa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.

