InícioMundoCrise diplomática com a Argentina é inédita, avalia governo

Crise diplomática com a Argentina é inédita, avalia governo

O governo brasileiro considera a atual crise diplomática com a Argentina, provocada por ataques do presidente argentino Javier Milei a Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, como a mais grave das últimas décadas. O assessor especial Celso Amorim afirmou que é a maior crise desde a redemocratização. O ministro Mauro Vieira se reuniu com o embaixador argentino para expressar repúdio às declarações de Milei e determinou o retorno do embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas.

O governo brasileiro avalia que a atual crise diplomática com a Argentina é a mais grave das últimas décadas. A tensão aumentou depois que o presidente argentino, Javier Milei, fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“É a maior [crise] desde a redemocratização”, disse o assessor especial para Assuntos Internacionais do Palácio do Planalto, Celso Amorim, à emissora CNN. A avaliação, porém, não é só dele, mas também de interlocutores do chanceler Mauro Vieira e do embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli.

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Mauro Vieira reuniu-se no domingo 26 com o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir o repúdio do governo às declarações de Milei. Em seguida, determinou o retorno de Bitelli a Brasília para consultas, medida adotada em momentos de forte tensão diplomática.

O Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como inédito e divulgou uma nota oficial.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”, diz o texto. “É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial.”

Leia também: “Lula ironiza declarações de Milei depois de críticas em evento do PL”

A última crise de grandes proporções entre Brasil e Argentina ocorreu em 1973, durante a assinatura do Tratado de Itaipu entre Brasil e Paraguai. Na época, o governo argentino contestou o uso das águas da bacia compartilhada e tentou barrar o projeto com a proposta da Usina de Corpus, que nunca foi construída.

Desde então, os dois países mantiveram o diálogo diplomático, apesar de atritos durante os governos de Jair Bolsonaro e de Alberto Fernández.

Do lado argentino, o chefe de gabinete de Milei, Diego Santilli, minimizou o episódio em entrevista ao jornal La Nación e afirmou que os brasileiros não deveriam “rasgar as roupas”. Milei, porém, manteve as críticas. Em entrevista a uma rádio, acusou o Brasil de financiar uma campanha contra a Argentina.

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