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Em novo livro, papa Leão 14 apela ao desarmamento nuclear – 23/07/2026 – Mundo

O papa Leão 14 vem defendendo o fim das guerras desde que iniciou seu pontificado, em maio de 2025. Agora, apela ao desarmamento nuclear em um novo livro, que foi publicado na última terça-feira (21).

Intitulado “Unarmed and Disarming: Peace Is a Gift” (Desarmados e desarmando: a paz é um dom, em tradução livre), o volume reúne discursos, homilias e escritos de Leão sobre a guerra, o papel da diplomacia e a resolução de conflitos sem violência. Na obra, o papa não menciona nenhuma nação pelo nome, escrevendo, em vez disso, de maneira geral sobre os perigos da corrida armamentista nuclear.

“Sobretudo na era atômica, a afirmação da verdade deve prevalecer: não são as armas atômicas que geram a paz, mas o desarmamento. Essa verdade, que parecia clara nas décadas passadas, quando testemunhamos uma redução da tensão nuclear, foi obscurecida por uma corrida armamentista que hoje assusta e aterroriza”, escreve o papa na parte inicial do livro.

No início do prefácio, Leão observa que “mesmo aqueles que fazem a guerra afirmam agir ‘em nome’ da paz”. E acrescenta: “Ninguém tem a audácia de declarar que deseja a guerra pela guerra em si: até mesmo os poderosos da Terra sabem que toda pessoa aspira à justiça e deseja viver em paz.”

Nos últimos meses, o Santo Padre tem se destacado como um crítico implacável da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Durante um voo para a Espanha em junho, afirmou que, “no caso do Irã, os critérios para uma guerra justa não estão presentes”.

O presidente Donald Trump atacou o papa por se opor à guerra. Em abril, criticou-o nas redes sociais como “péssimo em política externa”. O pontífice, por sua vez, declarou não ter “medo, nem do governo Trump, nem de proclamar em voz alta sobre a mensagem do Evangelho”.

Em uma entrevista no fim de junho, o embaixador dos EUA junto à Santa Sé, Brian Burch, disse que, quando se pronunciou contra a guerra no Irã, Leão não o fez na qualidade de líder da Igreja Católica Romana, mas apenas como o líder político soberano do Estado da Cidade do Vaticano.

O Vaticano rebateu essa interpretação por meio de um editorial de Andrea Tornielli, funcionário de alto escalão da sede da Igreja Católica que auxilia na gestão do departamento de comunicação. O texto deixou evidente que, mesmo quando fala sobre “guerra e paz, migração ou como permanecer humano na era da inteligência artificial”, o pontífice “continua sendo, acima de tudo, um líder espiritual“. Tornielli também escreveu que o papa, ao se manifestar contra a guerra, “não está falando como chefe de Estado. Está apenas proclamando o Evangelho”.

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