Dou um passo atrás para recomendar uma autora que serve de influência para quase toda essa geração fantástica. Falo de Silvina Ocampo, nome fundamental das letras argentinas no século 20 e que ainda merece ser mais celebrada pelos leitores brasileiros.
Há pouco a Companhia das Letras lançou “Os que Amam, Odeiam” (tradução de Júlio Pimental Pinto), romance policial de Silvina escrito com Adolfo Bioy Casares, com quem foi casada. A minha dica, no entanto, é outra. Leiam “A Fúria” (também da Companhia, tradução de Livia Deorsola) para ver como a autora brilha em contos perturbadores, em que a realidade sempre aparece de alguma forma distorcida.
Seguimos por estas bandas com a indicação do país de Yamal. “Nem Mesmo os Mortos” (DBA, tradução de Silvia Massimini Felix) é um feito do jovem espanhol Juan Gómez Bárcena. No romanção, acompanhamos parte das transformações da América Latina nos últimos 500 anos.
A história é grudada a um sujeito que atravessa a história e o território mexicano desde o século 16 até as tensões com Trump à frente dos Estados Unidos. O protagonista se transforma conforme o tempo passa, mas, de alguma forma, nunca deixa de ser ele mesmo, um Juan na caçada de outro Juan. Literatura pretensiosa feita por alguém que conseguiu bancar sua pretensão, o que é sempre bonito de ver.
Numa Copa marcada pela transculturalidade, vai mesmo ser um apanhado de indicações cheio de América Latina. Da terra de Mbappé, também pesco alguém com um pé aqui e outro lá na Europa. Filha de militantes perseguidos durante a última ditadura argentina, Laura Alcoba foi bem cedo viver pelos lados do Sena.
Escreve em francês, por isso a escolha. Da trilogia “A Casa dos Coelhos”, indicarei o livro do meio, “O Azul das Abelhas” (Paris de Histórias, tradução de Natália Bravo).

